O maior astral do mundo
Milhões de pessoas se mobilizam
todo começo de mês para
conhecer as previsões da americana
Susan Miller, a astróloga
mais consultada da internet
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CONVICÇÃO
TOTAL
Susan, em casa, de perna quebrada: "Ninguém acredita em
astrologia até que comece a estudá-la". |
"Eu espero mais o começo do mês para ler a Susan Miller do que
para receber meu salário", brinca o publicitário paulistano
Thiago Frias, 27 anos, sobre a astróloga que todo mundo anda lendo na internet.
Nascida em Nova York, formada em administração, divorciada, duas
filhas, católica devota e pisciana, Susan Miller, "na faixa dos 50
anos", é um fenômeno. Como uma supernova no auge do brilho,
ela atrai mensalmente cerca de 17 milhões de visitas em seu site astrologyzone.com,
90% delas no primeiro dia do mês, data em que divulga um horóscopo
para os trinta dias vindouros repleto de detalhes muito precisos. Ou, no mínimo,
suficientemente vagos para acomodar diferentes interpretações. A
própria Susan sentiu a falta de indícios mais nítidos na
carne. Em março, foi surpreendida por uma queda que resultou em fratura
da perna e uso de tala imobilizadora por seis meses. A título de justificativa,
relata em seu estilo intenso e detalhado: "Minha previsão dizia que
eu ou alguém próximo teria um problema de saúde. E havia
cinco dias no mês em que eu teria de tomar mais cuidado ainda. No último
dia, quando caminhava para a academia onde me exercito duas horas todos os dias,
escorreguei num degrau em que nunca havia reparado antes e rompi os ligamentos".
Explicação que faz todo o sentido para sua legião de fiéis,
entre eles Frias. "Ela diz há anos que vou publicar um livro, e isso
nunca aconteceu. Mas já acertou que meu cunhado teria um derrame e que
eu ganharia um aumento", conta. "Não é que ela acerte
sempre, mas quando acerta é um golaço."
Incontáveis
fortunas foram construídas sobre o desejo humano de decifrar o próprio
destino, em especial o que debita a doença do cunhado ou o holerite mais
gordinho na conta do sistema nascido de uma nuvem molecular há 4,6 bilhões
de anos, com uma poderosa anã amarela em torno da qual volteiam oito planetas
e respectivos satélites, mais dois cinturões de asteroides, só
para ficar no principal. Melhor ainda quando o balé celestial é
usado para justificar autopaparicações do tipo "Sua casa será
um lugar de muita inspiração em 10 de julho; pense em dar uma festa"
ou "No dia 5 de julho, você terá sinal verde para comprar roupas
novas". Para escrever conselhos assim no extenso relatório mensal
referente a cada signo zodiacal, Susan leva cerca de sete horas. E corre para
o abraço no otimista horóscopo diário, pelo qual os assinantes
do site pagam 50 dólares por ano. "Já existem muitas coisas
ruins acontecendo no mundo, então eu dou um desconto no horóscopo
diário. Acho melhor passar uma mensagem de ajuda, para que as pessoas vejam
o lado positivo da vida. Agora, no mensal eu não perdoo", diz ela.
Susan aprendeu astrologia com a mãe, versada também "em
filosofia, religião, metafísica e gramática". Antes
de viver profissionalmente dos astros, dirigia uma agência de fotografias
comerciais, mas já dava seus palpites e, certo dia, escrito nas estrelas,
disse a uma editora de livros que ela tinha grande chance de ganhar um prêmio.
"Na hora ela não acreditou. Mas seu número foi sorteado numa
rifa e ela ganhou um carro. No dia seguinte, trinta colegas dela estavam na porta
da minha casa, pedindo previsões e me fazendo propostas para escrever sobre
astrologia", conta. Hoje Susan publica seu horóscopo em quatro revistas,
escreveu seis livros e suas previsões são traduzidas em três
idiomas. "Tenho uma vida confortável, mas não fiquei rica com
a astrologia. Ganho o suficiente para não fazer o que não acho certo."
Leitora
voraz de horóscopos e devota da astrologia a ponto de barrar todos os sagitarianos
de sua vida por serem "pouco confiáveis", a produtora de moda
baiana Kika Brandão, taurina, 23 anos, descobriu Susan Miller há
um ano e desde então segue à risca suas recomendações.
Recentemente, cancelou a viagem de seus sonhos por causa da má combinação
astral. "Estava com passagem comprada para a Califórnia quando li
que não era para viajar naquele mês. Veio a história da gripe
suína, e vi que agi certo. Agora estou aguardando a previsão dela
para marcar de novo", relata Kika, para desgosto do namorado, um "virginiano
cético". Apesar do tom meio sobrenatural nos elogios dos leitores,
Susan proclama-se muito pé no chão ("Não acredito em
tarô, bola de cristal, nada disso") e garante que o que faz é
simples e claro. "Astrologia é matemática. Não existe
predestinação, apenas influências dos planetas", diz.
Também é pragmática sobre a reação diante do
seu trabalho: "Ninguém acredita em astrologia antes de estudá-la,
nem os astrólogos. Eu já fui assim".
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